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tecle F11 Foi um dia de kremesse. Depois de rezá três prece Pra que os santo me ajudasse, Deus quis que nós se encontrasse Pra que nós dois se queresse, Pra que nós dois
se gostasse.
Inté os sinos dizia Na matriz da freguezia Que embora o tempo corresse, Que embora o tempo passasse, Que nós sempre se queresse, Que nós sempre se gostasse.
Um dia, na feira, eu disse Com a voz cheia de meiguice Nos teus ouvido, bem doce: Rosinha si eu te falasse... Si eu te beijasse na face... Tu me dás-se um beijo? — Dou-se.
E toda a vez que nos vemo,
A um só tempo perguntemo
Tu a mim, eu a vancê:
Quando é que nós se casemo,
Nós que tanto se queremo,
Pro que esperamos pro quê?
Vancê não falou comigo E eu com vancê, pro castigo, Deixei de falá também, Mas, no decorrê dos dia, Vancê mais bem me queria E eu mais te queria bem.
— Cabôco, vancê não presta, Vancê tem ruga na testa, Veneno no coração. — Rosinha, vancê me xinga, Morde a surucucutinga, Mas fica o rasto no chão.
E de uma vez, (bem me lembro!) Resto de safra... Dezembro... Os carro afundando o chão. Veio um home da cidade E ao curuné Zé Trindade Foi pedi a sua mão.
Peguei no meu cravinote Dei quatro ou cinco pinote Burricido como o quê, Jurgando, antes não jurgasse, Que tu de mim não gostasse, Quando eu só amo a vancê.
Esperei outra kremesse Que o seu vigário viesse Pra que nós dois se casasse. Mas Deus não quis que assim sesse Pro mais que nós se queresse Pro mais que nós se gostasse.
NOTA:
Olegário
Mariano
foi
aluno do
poeta
Alberto
de
Oliveira,
Príncipe
dos
Poetas
Brasileiros
e um dos
fundadores
da
Academia
Brasileira
de
Letras.
Depois
do
falecimento
de
Alberto
de
Oliveira,
Olegário
Mariano
o
substituiu
na ABL,
ganhando
também,
por unânimidade, o
mesmo título
de Príncipe
dos
Poetas
Brasileiros
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Atualizado
em
12/07/2004



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